São Paulo, quarta-feira, 20 de setembro de 2017 - 06:24.

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Denúncia. Novo adiamento da reunião do GT do Livro Acessível.

"O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo".
(Clarice Linspector)

Prezados colegas de luta,

Temos boas e más notícias. Começando pela má notícia, informamos que a reunião do GT do livro acessível que aconteceria no dia 28 de Agosto, na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, reunião pela regulamentação da Lei 10753, foi outra vez adiada em função de nova greve deflagrada no Ministério da Cultura, portanto, mais um adiamento nessa discussão fundamental aos nossos propósitos de acesso definitivo a leitura.

A boa notícia foi que o Sr. Oscar Gonçalves, coordenador do GT, finalmente entrou em contato conosco. Sua intenção principal foi a de esclarecer nosso comunicado anterior sobre a sua negativa em receber-nos em audiência para que lhe fosse entregue oficialmente nosso abaixo assinado.

Justificou-se dizendo que sua recusa de contato conosco e a não resposta para as nossas mensagens foram devido a um mal entendido, a falhas na comunicação, a greve no MINC e problemas em seu computador particular. Esclareceu porém que suas portas e contatos estavam abertos para quem quiser procurá-lo sobre esse assunto.

Todavia, adiantou que é apenas o mediador das reuniões e não tem poder de influencia ou decisão alguma nessa questão, procurando manter-se absolutamente neutro dentro da mesma. . Comunicou também que a nova reunião do GT acontecerá no final de Setembro, após a próxima Bienal do livro a se realizar no Rio de Janeiro.

Informamos que um dos pontos mais importantes de nossa conversa telefônica foi a declaração do Sr. Oscar de que no GT estão reunidos governo, produtores e usuários de leitura. Fala esta que contestamos veementemente, pois ele exemplificou como consumidores os auto intitulados representantes das pessoas com deficiência visual que compõem o GT, a saber, Fundação Dorina, Laramara e Instituto Benjamin Constant.

Deixamos bem claro que essas instituições são produtoras e prestadoras de serviços como intermediadoras de leitura para pessoas com deficiência visual extremamente carentes, ou então seus próprios alunos e associados. Se hoje em dia se declararem fornecedoras de leitura para toda pessoa cega brasileira será uma falácia, um engodo, uma mentira que não podemos mais engolir e nem suportar. Como testemunhas disso apresentamos todos os assinantes de nossa carta aberta, os mais de 5000 presentes em nosso abaixo assinado que vivenciam na própria pele ou então conhecem alguém que passa por situação de total exclusão, humilhação e desespero no que diz respeito a acesso a leitura atual, imediata e acessível.

Portanto, será improcedente, enganosa e equivocada qualquer alegação no sentido de que essas três instituições sejam suficientes para abarcar a necessidade de leitura de todas as pessoas com deficiência visual brasileira. Sem contar outras deficiências que também precisam de livros acessíveis. Esperamos que isso fique bem claro!

Outrossim, mesmo que elas supram a necessidade das pessoas com deficiência visual institucionalizadas, essa não é a realidade da maioria absoluta das pessoas com essa deficiência em nosso país. A maioria não freqüenta essas instituições, não precisam de caridade ou assistência que devem ser dirigidas única e exclusivamente a quem realmente necessita desse tipo de apoio social.

Assim sendo, deixamos claro ao Sr. Oscar Gonçalves que nós, os usuários e consumidores autônomos e independentes de leitura, expressos nos mais de 5000 componentes de nosso abaixo assinado, estudantes, profissionais ou aqueles que procuram simplesmente cultura e lazer na companhia de uma boa leitura, estamos absolutamente alijados e excluídos dessa discussão, somos tratados dentro do GT por "eles" e não por "vocês", isto é, estamos fora desse grupo e isso não pode continuar assim!

Procuramos marcar muito bem essa posição e que reflete todo teor de nossa Carta Aberta. Todos nós estamos irmanados e unidos com um único intento, ou seja, de que nada seja feito ou falado sobre nós sem a nossa participação e acompanhamento muito de perto e com todas as informações sendo veiculadas de maneira transparente e acessíveis, afinal, esse é o cerne de nosso movimento. Leitura, informação e conhecimento amplos, gerais e irrestritos já!

Informamos que, uma vez que a reunião foi novamente adiada, continuaremos com nossa coleta de assinaturas até a entrada definitiva do movimento pela leitura acessível no Brasil como membro oficial e permanente do grupo de discussão reunido na Biblioteca Nacional no Rio de janeiro. Afinal nosso abaixo assinado já se constitui por si só em uma instituição social, pois somos um gigantesco grupo de pessoas e organizações, temos objetivos comuns, nos agregamos em torno de um documento oficial, nossa carta aberta, o qual todos ratificamos e defendemos. Somos, portanto, uma grande instituição composta por mais de 5000 participantes. Por isso, temos o direito de reivindicar o nosso reconhecimento.

Obrigado e continuemos na luta, essa mobilização está conquistando cada vez mais espaços importantes e foi para isso que começamos essa empreitada cidadã. Não deixe de conscientizar mais pessoas para juntarem-se a nós.

Cordialmente,

Naziberto Lopes
Coordenador do Movimento pelo Livro e Leitura Acessíveis no Brasil.

 

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