São Paulo, quarta-feira, 23 de agosto de 2017 - 03:12.

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ATA DE REUNIÃO.

CONSCEG - Conselho de Alunos Cegos e Amigos na Universidade.

Data: 19/02/ 2005.

Participantes :
Elizabeth Marinho - Economista
Fabiana Andrade
Fernanda Arruda Santos
Lucas Divino de Souza
Naziberto Lopes
Priscila Branca Neves

Pauta:

Discutir como foi a receptividade e oferecimento de acessibilidade para os alunos deficientes visuais, nesse início de novo semestre letivo, uma vez que o NAAPNE, já está em pleno funcionamento desde 15 de Setembro de 2004.

Discutir também sobre a repercussão junto aos professores, do "Guia Legal" criado por esse Conselho, fruto das discussões que aconteceram no ano passado.

Esse "Guia" foi oferecido por nós a todos os professores que mantém alunos deficientes visuais em suas turmas. Lembrando que os professores de Psicologia receberam em mãos, distribuído pela Coordenação do Curso, o Prof. Ricardo Franklin.

Em relação aos professores de outros cursos que também mantém alunos deficientes visuais como Direito e Sistemas de Informação, numa reunião realizada em 28 de Janeiro de 2005, foi encarregado o coordenador de Projetos Sociais, Prof. Valdir, de fazer a distribuição do referido "Guia" aos mesmos.

Lucas Divino:

Disse que não acredita que o guia do CONSCEG foi distribuído entre os professores de seu curso. Por isso, diz que vai tirar cópias por sua conta e entregar gentilmente a cada um deles, inclusive para a coordenação.

Como já está acostumado, procurou os professores pessoalmente e solicitou-lhes que providenciassem os materiais que precisa de maneira antecipada, para que o Núcleo possa dar conta de prepará-los.

Cita a fala do Prof. Manso que foi a seguinte: "Eu não fui informado que havia um aluno cego na turma".

Cita também as perguntas dos novos professores que foram as seguintes: "Como eu posso lhe ajudar?", "como é que você faz as provas?", "como eu faço com você?".

Essas afirmações e interrogativas deixam claro para ele que o guia ainda não chegou por lá.

Finalizando faz a sugestão da criação de um "site" na Internet para o CONSEG. Idéia que foi muito bem aceita pelo conselho e vai ser desenvolvida ao longo das próximas reuniões.

Fabiana Andrade:

Comenta sua alegria e expectativa ao adentrar a Universidade pela primeira vez. A recepção dos veteranos, os colegas de sala e o pessoal do conselho. Cita dois acontecimentos desagradáveis durante as aulas, que as deixaram, ela e sua irmã gêmea, constrangidas e com intenção de desistir devido as dificuldades. Um deles foi com relação ao gravador digital que utilizam, e o outro foi uma exibição de filme legendado em sala de aula.

Nesses dois casos, o conselho prontificou-se a conversar com os professores envolvidos a fim de prestar-lhes esclarecimentos.

Comenta que ainda não recebeu, via e-mail, dois programas de disciplina, do Prof. Ari e da Profa. Glória. Diz que precisa deles, mas, sobretudo impressos em braile.

Priscila Neves:

Comenta que está cursando pós em educação inclusiva e ficou satisfeita com o fato de os professores já estarem sabendo de sua presença. Credita esse trabalho a sua coordenadora, Profa. Grazia, o que é muito bom. Entretanto, no primeiro dia de aula, recebeu o programa impresso a tinta. A alegação da profa. Anita Foi que ficara sabendo naquele dia de sua necessidade de receber o programa em disquete e em braile. Porém, na aula seguinte o disquete já estava nas mãos dela.

Recebeu de sua coordenadora, um programa geral do curso em braile, feito pela própria. Notou que o mesmo estava resumido e não trazia algumas informações importantes. Comunicada, a coordenadora disse que iria consertá-lo e que estava treinando sua transcrição em braile e que a Priscila deveria fazer isso mesmo, ou seja, comunicar-lhe qualquer tipo de erro.

Comentou também, assim como o Lucas, que iria tirar cópias do guia e entregar pessoalmente nas mãos dos professores e coordenadores do curso, porque percebe que o mesmo ainda não chegou por lá.

Comenta um acontecimento com a Profa. Mônica, que distribuiu umas fichas para preenchimento, sendo que a dela não estava em braile. Entretanto, a própria professora sentou-se ao lado dela e ajudou-a a preencher a mesma. Uma situação que começou de forma errada, mas terminou bem, pelo bom senso e disponibilidade da mestra.

Como estuda no campus Santa Paulina pela primeira vez, ainda não sabe se o mesmo é acessível, mas vai tentar fazer um reconhecimento na próxima semana e trará o resultado na próxima reunião.

Finalizando, comenta que fez um convite ao Reitor, Prof. Ernani, para que visitasse o Núcleo, que o aceitou de pronto, mas ainda não fez a visita. Ela espera que seja em breve.

Fernanda Arruda:

Comenta que assim como a Priscila, também está matriculada no curso de pós em educação inclusiva, e que é de suma importância que esse curso tenha uma aluna como a amiga.

As discussões que seriam apenas na teoria, deverão agora ser, obrigatoriamente na prática. Pois caso sua amiga seja incluída nesse curso de forma mais inteligente, contrariamente aos cinco anos de sofrimentos enfrentados pela mesma na fase de graduação, isso vai atestar que o curso é realmente de educação inclusiva.

Aponta o constrangimento sofrido pelas irmãs Fabiana e Luciana, como um exemplo de comportamento que precisa ser discutido exatamente nesse curso que estão iniciando.

Elizabeth Marinho:

Comenta que tem notado, desde o início do conselho, importantes transformações nos componentes, uma conscientização de seus direitos como estudantes e principalmente como cidadãos que possuem uma reflexão crítica sobre suas realidades e principalmente uma coesão de pensamentos e objetivos como grupo.

Dirigindo-se especificamente à Fabiana, diz que não a criticaria jamais se ela pensasse em parar o curso, fazer outra coisa qualquer, porém, afirma que essas discussões, essas reflexões em grupo que até hoje o conselho tem proporcionado aos seus membros, foram fundamentais para as conquistas que tiveram até hoje.

Esse oferecimento de novas idéias, essa pré-disposição de conquistar um lugar de respeito e de direito dentro da Instituição é significativo tanto para vida acadêmica, assim como para a vida pós Universidade.

Comenta que são nítidas as novas posturas que todos do conselho, alguns docentes e dirigentes adquiriram e também é nítido que isso foi proporcionador de transformações dentro desse espaço acadêmico da Universidade. Esse início de trabalho de fornecimento de acessibilidade técnica e pedagógica é apenas um começo para um trabalho ainda maior que certamente extrapolará os limites da Universidade.

Dirigindo-se a Fabiana, aponta-lhe que essas relações conturbadas iniciais são comuns nos processos de transformação, como é o do movimento que o conselho desencadeou. Mas isso deve ser encarado não como um fato desestimulante e impeditivo, e sim como estímulo e força propulsora para a construção de uma identidade singular, uma postura participativa e questionadora diante das adversidades da vida.

Lembrando o exemplo da Fernanda, que comentou a entrada da Priscila numa turma de estudos sobre educação inclusiva, comenta que a inclusão se faz dessa forma, ou seja, na relação direta entre todos os atores dessa construção.

Todos têm sua responsabilidade, têm sua parcela de contribuição dentro dessa construção coletiva. Não adianta nada prédio bonito, sala confortável, tecnologia avançada, se, no momento crucial, que é o da relação professor / aluno, alguma das partes se recusar a compreender e enxergar o outro como um construtor também, independentemente de seus diplomas, títulos, cargos, vivencias, e etc. Cada um deve reconhecer no outro a possibilidade de contribuir com o crescimento e desenvolvimento de todos.

Naziberto Lopes:

Comentou o seu trabalho junto a Profa. Beatriz, que estão fazendo uma reformulação no guia do conselho, para que esse possa ser institucionalizado e adotado pela São Marcos como publicação oficial.

Comentou a satisfação de seus professores em receber o guia, mesmo provisório, porque ele elucida uma série de dúvidas e situações que, às vezes, não eram mencionadas por medo ou falta de conhecimento por parte deles.

Teceu elogios a atuação do Prof. Sérgio, que ao exibir um filme legendado, foi narrando, em particular à ele, tudo que acontecia na tela. Atitude extremamente inclusiva na opinião do conselho. Cita também a atuação da Profa. Adriana, descrevendo tudo que desenhava na lousa, uma pirâmide com níveis do Sistema Unificado de Saúde - SUS, e que ficou nítida e clara para ele.

Teve que avisar todos os professores a respeito da inacessibilidade do "site" da Universidade, solicitando que os programas que estavam sendo deixados lá, lhe fossem mandados via e-mail.

Relacionou algumas preocupações, entre elas: A falta de um corrimão até o novo local da "xerox", para que os deficientes possam chegar com autonomia por lá; O crescente número de deficientes visuais e o pequeno número de computadores no NAAPNE, uma vez que esses computadores estão destinados mais à produção do que à consulta e treinamento e, por fim, o atraso na entrega dos textos em braile.

Finalizando, trouxe a idéia da criação de um jornal do conselho. Um jornal que seria distribuído na porta da Universidade e teria o objetivo de levar ao conhecimento de muitos outros alunos e pessoas em geral, todos os debates e problemas, assim como as conquistas que o conselho vem conseguindo promover dentro da Universidade.

Essa idéia também foi muito bem aceita por todos e será desenvolvida ao longo das reuniões.

Relação das atas:

 

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