São Paulo, segunda-feira, 23 de outubro de 2017 - 06:46.

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ATA DE REUNIÃO.

CONSCEG - Conselho de Alunos Cegos e Amigos na Universidade.

Data: 24/04/2004

Participantes:
Rita de Cássia Martins de Araújo;
Fernanda Arruda dos Santos;
Priscila Branca Neves;
Naziberto Lopes de Oliveira;
Elizabeth V. Marinho de Oliveira.

Convidados:

Elisabete Branca Carrão:

O componente Lucas, ausente por motivo de força maior, deixou uma carta ao grupo para que fosse lida na presente reunião, essa carta continha algumas idéias sobre como melhorar o relacionamento entre professores e alunos deficientes visuais, aspecto esse que está sendo discutido pelo grupo que pretende criar uma espécie de manual, cartilha ou coisa parecida, e oferecer à coordenação do curso. Assim sendo, a Fernanda leu as idéias emitidas pelo Lucas em voz alta para todos os presentes.

Resumo da quinzena e principais queixas:

Fernanda Arruda:

Salienta que apesar dos comentários do texto do Lucas, percebe que alguns dos professores, temem o contato com os alunos deficientes visuais, e a procuram para intermediar solicitações ou entendimentos relativos às atividades da Priscila, isto é, eles não se dirigem diretamente à Priscila para dizer ou propor alguma coisa, mas sim o fazem à Fernanda.

Priscila Neves:

Fez, em conjunto com a Fernanda, uma apresentação na última terça-feira, sobre psicologia da educação e inclusão escolar. Foi sugerido o convite de uma pessoa que falasse sobre inclusão. A própria Priscila colocou sua experiência, falando sobre a diferença entre escolas comuns e escolas especiais.

A princípio a professora ditou as regras do trabalho, solicitando que a apresentação ocorresse através de transparências, mas a Fernanda e a Priscila optaram por fazer uma apresentação diferente. Um fato estranho foi que, quando iniciaram a apresentação, a professora pediu que elas não falassem da Faculdade. A Priscila aproveitou a oportunidade para falar do Conseg.

Uma aluna manifestou sua opinião, dizendo que não se consegue as coisas de um dia para o outro. A sala inteira lembrou a essa amiga, desavisada, que a Priscila está na Faculdade há quatro anos, além do que, outros já tiveram aqui antes dela.

No trabalho referido, as duas fizeram um paralelo entre os relacionamentos mutualistas na visão biológica, e os relacionamentos humanos, na visão psicológica, apontando que existem semelhanças entre as duas como, por exemplo, o Líquen e as relações entre pessoas deficientes e pessoas não deficientes, nas quais, existem ganhos para ambos os lados, como a quebra dos preconceitos mútuos e a ampliação dos universos particulares, fato mais do que claro dentro do contexto do trabalho, que era o da inclusão escolar.

As duas lamentam que Suas idéias foram apontadas como extremistas pelo fato da professora entender incorretamente a analogia como a proposta de uma relação de dependência mútua. Mal sabe essa professora que as dependências existem na natureza animal e humana desde que surgiram.

Outro aspecto sofrível apontado pelas duas foi o fato de que, nesta aula, houve uma convidada para falar sobre psicologia escolar, mas a professora esqueceu-se de avisá-la que na sala de aula havia uma aluna com deficiência visual. A palestra, por incrível que pareça, era sobre inclusão escolar, uma vez que a convidada não foi avisada, ela não teve como preparar uma apresentação que incluísse a Priscila.

Com relação á última reunião, informa que as apostilas de ética e de inglês em braile, que haviam sido entregues na biblioteca, realmente sumiram.

Os formulários da clínica, encaminhados para a Adriana para transcrição Braile, também comentados na última reunião, ainda não foram entregues à Priscila para que melhor se prepare para um atendimento clínico.

Rita de Cássia:

Lembra que seria interessante colocar em prática a idéia da semana da vivência. Inclusive, informa que está dando aula de Braile para uma funcionária da Biblioteca, na unidade do Tatuapé.

Ressalta a importância de fazerem a manifestação combinada, de alertarem as pessoas nas diversas unidades da São Marcos sobre a existência de deficientes visuais e necessidades de adaptações e reconhecimento.

Conta que a Professora Luciana Chauy, disse a ela que começará a scanear os principais textos de sua matéria para que ela possa acompanhar suas aulas e disse que não fez isso antes por desconhecer esta necessidade. Por incrível que pareça, ela, assim como outros professores da São Marcos, ainda desconhecem essa necessidade.

Registra que a Professora Ana Maria Navajas sempre a informa que há textos disponíveis na biblioteca, mas quando ela vai procurar, não encontra nada. Diz ainda que a Ana Maria informou à ela que a Adriana não dá conta dos trabalhos que precisam ser feitos.

A Rita e o Naziberto lembram da importância do compromisso da Adriana em entregar os textos rapidamente e nos prazos corretos, mas se esta não dava conta nem mesmo quando só havia a Priscila por aqui, quanto mais agora que existem 7 pessoas.

Surgiu a idéia de fazerem a proposta de os alunos deficientes visuais simularem uma aula, similar a que eles têm, para os professores, que estariam com os olhos vendados, de forma que eles pudessem perceber as dificuldades enfrentadas pelos alunos.

O Naziberto acha que os professores não topariam a experiência porque teriam medo de não saber lidar com a situação. Talvez se alguns aceitassem, certamente, seriam muito poucos.

A Priscila disse que já fez uma experiência assim, simulando uma entrevista de emprego, onde os outros alunos ficavam com os olhos vendados. Alguns alunos da sala conseguiram ser sensibilizados para as dificuldades.

Naziberto Lopes:

Lembra que às vezes são necessárias atitudes fortes para impactar os professores e pessoas em geral, e sensibilizá-las sobre sua parcela de responsabilidade no trabalho de melhoria da inclusão escolar.

Nesta semana, entre outras coisas, relata que esperava para fazer uma prova de psicopatologia, ele já estava com o computador ligado, posicionado para iniciar a prova. Quando a professora chegou, perguntou se os alunos queriam fazer a prova, informando que naquele dia era o dia da Jornada Científica. O detalhe é que nenhum aluno presente na sala sabia sobre a tal Jornada Científica.

A professora, então, foi buscar uma funcionária da Faculdade (Filomena), que colou, naquele momento, um informativo sobre a jornada científica, no qual inclusive, estava dito que naquela sala haveria uma palestra, diante da qual, as pessoas que participariam da mesma já estavam se aglomerando e pedindo para entrar.

Foi obrigado a desligar todo seu equipamento, e transferir-se para outra sala para fazer a prova da professora Alexina. Ele disse a suas colegas que apesar de ser tratado com desconsideração com relação a sua deficiência e conseqüentes necessidades específicas, ele tem pena de como os alunos em geral são tratados na Faculdade, tendo que viver situações assim.

Registra a importância dos alunos deficientes visuais aprenderem a utilizar recursos de informática, que possam habilitá-los para o mercado de trabalho atual. Mais uma carência importantíssima que seria solucionada com a instalação da sala de recursos, com o equipamento adequado às necessidades desses alunos, não apenas auxiliando-os em suas tarefas diárias na Universidade, assim como também, preparando-os para o mercado de trabalho lá fora.

Elisabete Carrão:

A Elisabete, que é mãe da Priscila, diz que durante os quatro anos em que sua filha está fazendo a Faculdade, ela própria teve sempre que ler os textos e livros para a aprendizagem da filha. Caso isso não tivesse sido feito, anteriormente e ainda hoje, jamais a Priscila poderia ter chegado até ali. Esse fato remeteu o grupo para uma reclamação do Lucas, feita em reuniões anteriores, sobre as pessoas que o auxiliam a acompanhar as leituras da faculdade, que são inúmeras, tanto no Instituto Padre Chico, quanto em sua família, ou seja, essas pessoas, solidárias para o problema, fazem aquilo que a Universidade deveria fazer.

Elizabeth Oliveira e Fernanda Arruda:

Leram o artigo Guia Tátil, publicado na Revista Marco número 7 de março/abril de 2004.

Foi feita uma pesquisa sobre o conhecimento dos componentes do grupo sobre esse artigo e sobre, inclusive, essa revista:

A Priscila ficou sabendo da existência da revista desde o primeiro número, somente porque a Fernanda lhe falou.

A Rita e o Naziberto desconheciam a existência da revista até a publicação desta reportagem. O Naziberto ficou sabendo através de uma amiga de sala, que chamou a atenção dele, justamente por ser uma simpatizante do CONSCEG, por sua vez, a Rita, ficou sabendo desse fato, revista e artigo, naquele exato momento.

Foi feita a leitura, em voz alta, por Elizabeth Oliveira, dos vários artigos que compõem a revista e que falavam sobre o guia tátil.

A Elisabete Carrão Acha que a publicação do artigo sobre o painel Guia tátil é somente marketing, apenas para aparecer, uma vez que a Faculdade sabendo da existência de deficientes visuais em seu quadro de alunos, nem mesmo se preocupou em envolvê-los no projeto ou na informação sobre o mesmo. Diz ainda que o Conseg deveria procurar pelos responsáveis por este trabalho e pedir para conhecê-lo.

O Naziberto fala que as pessoas procuram esconder a sujeira de sua casa em baixo do próprio tapete. Não se busca auxiliar ao próximo mais próximo e sim dizer que auxiliam aqueles que estão mais distantes.

A Rita também acha que se trata de marketing, uma vez que envolveram apenas os alunos do Padre Chico no projeto.

A Priscila disse que Quando sua mãe leu a revista, ela ficou indignada por não ter tido a oportunidade de conhecer e participar do projeto. Ela não terá acesso a este painel através da Faculdade que o desenvolveu. Sugere que a revista deveria mudar de nome para ”jabá”, só mostra as coisas que são boas, tapando o sol com a peneira. Lembra que em seu primeiro número há cerca de um ou dois anos, havia a informação de que a revista seria veiculada em mídia eletrônica para os deficientes visuais, o que não ocorreu até agora. A São Marcos quer mostrar para a população que possui ações de inclusão social lá fora, mas não há nada trabalhado para inclusão dos deficientes visuais aqui dentro.

O Naziberto teve a sensação de marido traído, aquele que é sempre o último a ficar sabendo das coisas. Para ele a revista não reflete de maneira alguma a realidade que os alunos deficientes visuais encontram na São Marcos. Trata-se de uma propaganda enganosa, e que se existe um departamento De Arquitetura e Projetos nesta Faculdade, voltado para tratamento de soluções para deficientes visuais, nós, do CONSEG, ou mesmo individualmente, nunca fomos informados ou consultados, ou seja, fomos totalmente ignorados.

A Fernanda teve a impressão de tratar-se de uma propaganda enganosa, porque não reflete a realidade das próprias pessoas com deficiências que estudam na Faculdade. O projeto é interessante, mas não atinge os alunos da própria faculdade e salienta que há outras coisas que deveriam ser feitas e a Faculdade não faz.

A Rita pediu ao Beto uma cópia da apostila sobre a história do Braile, para que ela incremente o curso que está dando a funcionária da São Marcos do Tatuapé.

O Naziberto alerta a todos quanto à importância de escreverem textos como o que o Lucas enviou para a reunião, para que esse manual ou cartilha seja elaborado (a) o mais rápido possível, pois, a falta de conhecimento e esclarecimentos que os professores da Universidade tem sobre a questão da deficiência já está num patamar muito elevado.

Informa também que já digitalizou os dois primeiros livros de direito que o Lucas pediu para ele. São dois livros muito interessantes e úteis, sobre direito constitucional e direito civil que também serão disponibilizados junto à biblioteca, porém, informa com tristeza que uma apostila solicitada também pelo Lucas, não foi possívelser concluída, devido à cópia ser muito fraca, muito ruim e o scaner não conseguir reconhecer, inviabilizando o trabalho. Uma vez que a Universidade também não tem a menor preocupação com isso, o Lucas vai ficar impossibilitado de ler essa apostila que, certamente, seria muito útil aos seus estudos e formação.

A Rita trouxe uma informação muito interessante e alentadora, dizendo que a professora Luciana Chauy, tem toda uma preocupação com a sua inclusão escolar, procedendo de forma muito própria, na sala de aula, procurando fazer explanações muito claras, e disponibilizando sua assistente direta, para ficar ao lado dela, esclarecendo-a sobre tudo que se passa em sala de aula, caso a própria professora se esqueça por algum instante de suas necessidades partticulares.

O Lucas, por telefone celular, avisa quanto a necessidade de solicitarem que os cds presentes na biblioteca sejam rotulados em Braile e sejam dispostos em prateleiras próprias para que os deficientes possam acessar de forma independente e rápida.

Relação das atas:

 

Tudo sobre o CONSCEG - Conselho de Alunos Cegos e Amigos na Universidade.

 

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