São Paulo, terça-feira, 17 de outubro de 2017 - 19:26.

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O futuro chegou antes.

Empresas brasileiras correm para se adaptar aos livros digitais, novidade que se concretizou mais rápido do que o esperado.

RAQUEL COZER.
DA REPORTAGEM LOCAL.

Foi como um futuro inevitável, porém distante, que editores e livreiros falaram ao longo de todo o ano sobre chegada da revolução digital de livros ao Brasil. Mas os últimos avanços atropelaram todas as expectativas, e agora as empresas do país correm para tentar se adaptar.

Neste mês, começa a funcionar a primeira e-bookstore brasileira a oferecer o seu próprio leitor eletrônico de livros. A Ediouro promete, em janeiro, passar a lançar todos os seus títulos nos formatos papel e digital. Em março, a livraria Saraiva deve pôr no ar um ambicioso sistema de download de títulos, um tipo de iTunes dos livros.

São ao menos três iniciativas tupiniquins que tentam espaço num mercado em que os primeiros passos foram dados pelas americanas Google (com o plano de expansão da digitalização de livros pelo Google Books) e Amazon (com a venda do leitor Kindle no Brasil).

E são ações que, é claro, ainda encontram barreiras. O primeiro lançamento da Ediouro em e-book -"O Seminarista", de Rubem Fonseca, há um mês- deixou usuários desorientados com atrasos de dias na chegada do livro eletrônico após a compra. Ela deveria ser imediata.

O livro ainda não pode ser comprado pela Amazon, por pendências no contrato. Pode ser baixado pela loja virtual da editora (www.lojasingular.com.br), pelo www.smashwords.com e pelo iTunes. Newton Neto, diretor de tecnologia e mídias digitais da Ediouro, diz que vende de 10 a 15 exemplares do formato eletrônico por dia -número expressivo, mas "muitíssimo inferior" à venda em papel.

Caso passe mesmo a lançar todos os livros nos dois formatos em janeiro, a Ediouro será a editora nacional mais avançada nesse quesito. "Não fazemos tudo no nosso quintal, temos parcerias com empresas estrangeiras", diz Neto.

Parceria.

Anunciada como a primeira e-bookstore brasileira, com estreia marcada para 15/12, a Gato Sabido também tem parceria com uma empresa de outro país, a britânica Cool-er. Foi de lá que o economista carioca Carlos Eduardo Ernanny trouxe o leitor eletrônico que será usado pela loja. Há um ano envolvido no projeto, diz já ter investido R$ 800 mil nele.

O leitor Cool-er é mais simples que o Kindle -o aparelho britânico não tem conexão sem fio, como o americano-, mas custa menos: R$ 750, contra os mais de R$ 1000 com que o Kindle chega ao Brasil, incluídas as taxas.

O desafio da loja será conseguir conteúdo com as editoras. Ernanny diz que já tem o aval de "três grandes escritores brasileiros" e está em conversas com a Companhia das Letras, a Objetiva e outras. A única grande confirmada é a Zahar. No dia 15, quando a loja iniciar as vendas, terá da editora apenas três títulos: "Shakespeare e a Economia", de Gustavo Franco e Henry Farnam, "Freud e o Inconsciente", de Luiz Alfredo Garcia-Roza, e "Morreu na Contramão", de Arthur Dapieve.

Mariana Zahar, diretora-executiva da editora, diz que a meta é que até março 300 títulos estejam disponíveis para venda digital. Não só na Gato Sabido. "Estamos conversando com a Amazon e outras empresas. É zero exclusividade. Livrarias brasileiras também devem lançar logo suas próprias e-bookstores", diz Mariana.

O maior projeto nesse sentido é o da Saraiva. O diretor presidente da livraria, Marcílio Pousada, diz só que vai "entrar no mercado de livro digital de uma maneira muito boa, como fizemos com o sistema de download de vídeos, em maio".

A Folha apurou que o sistema foi apresentado a ao menos seis editoras, incluindo a Objetiva, a Companhia das Letras e a Record, e que o lançamento deve ocorrer em março -data que Pousada não confirma. Trata-se de um programa que o usuário instalará no computador e que permitirá o download para Kindle, iPhone e outros.

Para as editoras, a maior dificuldade é atualizar os contratos com autores para incluir os direitos digitais. Sorte de editoras como a Intrínseca, que tem só 50 títulos no catálogo; azar de outras como a Record, com mais de 5000 -para quem a conversão para o mundo digital será bem mais trabalhosa.

Fonte: Folha de São Paulo - Caderno Ilustrada.
Data: 07 de dezembro de 2009.

 

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