São Paulo, segunda-feira, 23 de outubro de 2017 - 06:39.

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O MOLLA no GT do livro acessível. Primeira vitória.

Quero compartilhar com vocês como foi a chegada do MOLLA no GT de acessibilidade criado pelo Ministério da Cultura e baseado na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, no âmbito da Câmara Setorial do Livro e da Leitura (CSLL).

Começo por dizer que esta não foi a minha primeira tentativa de chamar a atenção para esse problema. Perdi a conta das inúmeras tentativas frustradas anteriores que eu pessoalmente idealizei para chamar a atenção de Governo e sociedade para esse verdadeiro crime cometido contra pessoas com deficiências que impeçam ou dificultem o acesso ao livro convencional e que é a exclusão destas pessoas do mercado editorial, consequentemente do universo da educação, da informação, do conhecimento, da cultura e do lazer proporcionado pelo acesso aos livros e a leitura. Por isso confesso que não tinha idéia de que desta vez a coisa tomaria a proporção que tomou, repercutindo por todo o Brasil e em muitos lugares do Mundo onde existiam brasileiros com deficiência e que se sentiram representados por nossa luta por aqui em terra brasilis.

Porém, desta vez foi diferente, algo aconteceu, uma energia diferente permeou essa luta, uma sinergia de forças ocorreu, pessoas com outras deficiências também se conscientizaram que estavam tão ou mais excluídas do universo dos livros do que as pessoas com deficiência visual. Esta união foi preponderante para o sucesso desse movimento.

Desta maneira, o nosso abaixo assinado foi tomando corpo, amplitude, foi sendo divulgado abertamente pelos mais variados grupos de discussão na Internet, em fóruns de debates virtuais e presenciais, fazendo com que as assinaturas não parassem de chegar via Internet, correio normal, telefone, enfim, uma verdadeira mobilização nacional tomou lugar no Brasil a partir da publicação e divulgação de nossa Carta Aberta no início do ano de 2007.

Começamos então a divulgar nossos boletins periódicos com o objetivo de informar aos parceiros os desdobramentos do movimento e captar mais assinaturas individuais, assim como conscientizar mais pessoas, entidades, organizações e instituições voltadas diretamente ou não para as causas das pessoas com deficiência, para que pudessem entrar no movimento e repercuti-lo por suas redes de contatos. E esse movimento se tornou uma verdadeira rede social que foi crescendo e se multiplicando em todos os cantos do Brasil e, como já disse, em muitas partes do Mundo como Portugal, Alemanha, Japão, Nova Zelândia, Argentina, Chile, Espanha, entre outros.

A conseqüência disso foi que não tardou para que chegasse aos ouvidos do Governo Federal a notícia de que existia um movimento organizado e nacionalmente distribuído que gritava seu descontentamento e suas reivindicações a respeito da regulamentação da lei 10.753/2003 e que precisava ser ouvido.

Ademais, não foi por acaso que as notícias chegaram a todos os pontos do Governo Federal, afinal, as nossas mensagens com os boletins de crescimento do movimento eram enviadas direta e insistentemente a todos os endereços eletrônicos que conhecíamos nos Ministérios da Educação, da Cultura e todos os órgãos que acreditávamos ter algum tipo de envolvimento naquela questão.

Por outro lado, as pessoas e instituições integrantes do movimento se desdobravam a fim de conseguirem inserções de nossas notícias nos mais diferentes canais de comunicação existentes, como em jornais, revistas, programas de rádio, de televisão, ou seja, todo tipo de mídia impressa ou falada. Até que conseguimos finalmente nosso objetivo, que era sermos ouvidos diretamente pelo Governo Federal.

Um dos assessores diretos do Ministro da Cultura, Exmo.sr. Gilberto Gil, fez contato com a coordenação do MOLLA com o objetivo de saber quais eram as inquietações, os descontentamentos e as reivindicações do movimento. A partir deste contato passamos a ser reconhecidos como legítimos representantes das pessoas com deficiência não institucionalizadas, pessoas com deficiência que reivindicavam o reconhecimento de sua liberdade e autonomia de escolha de seus livros e leituras, o reconhecimento de seu caráter de consumidores, em resumo, de sua cidadania plena.

Fomos então convidados oficialmente pelo Governo Federal a integrar o grupo de acessibilidade da Biblioteca Nacional, cabendo-nos a responsabilidade de enviarmos dois representantes para o GT, o que foi feito para as reuniões dos dias 12 e 13 de Dezembro de 2007, quando aquele grupo se reuniu pela quarta vez desde sua criação.

Assim sendo, o MOLLA, com menos de um ano de existência saia do anonimato para marcar sua presença dentro do grupo de acessibilidade do Ministério da Cultura, criado para elaborar texto do decreto de regulamentação para a lei 10.753/2003, para que pessoas com deficiência fossem definitivamente reconhecidas como consumidoras de livros e de leitura no Brasil.

Ilustração: A figura de uma mesa com pessoas a sua volta, como em uma reunião e alguém chegando de fora para sentar-se à mesa.

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