São Paulo, segunda-feira, 23 de outubro de 2017 - 06:36.

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Renata Fonseca: lia para o meu sobrinho, agora ele lê para mim.

Renata e Renan.
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Moro no Rio de Janeiro, meu nome é Renata, tenho 40 anos e sou portadora de retinose pigmentar desde os 23. Convivi com a baixa visão e campo visual restrito durante 15 anos e perdi completamente a visão no final de 2005. Tenho paixão pelos livros, até mesmo como objeto.

Até hoje tenho o hábito de manusear, cheirar, sentir o livro, embora tenha tido 39 anos de minha vida para ler muito e agradeço a Deus por isso. Fico perplexa e triste ao observar quantas pessoas que têm o privilégio de enxergar normalmente dizer que não gostam de ler. Não é um desperdício? Pensando nisso resolvi fazer o possível para incutir no meu sobrinho, hoje com quase 7 anos, o gosto pela leitura. Acho que consegui.

Quando ele ainda estava na barriga de minha cunhada, comprei um livrinho de banheira para ele. Ele brincou até o livro ficar totalmente destruído. Desde que ele era muito pequeno, eu lia para ele, sempre passando os dedos pelas letras e interpretando as vozes e as entonações dos personagens. O resultado é que ele desenvolveu grande curiosidade em relação às palavras. Nossas brincadeiras eram sempre com quadros negros, jogos de letrinhas e livros.

Quando ele fez 5 anos, um dia me pediu para ler para ele uma revista em quadrinhos que eu tinha comprado, da Turma da Mônica. Expliquei que não estava conseguindo mais ler porque não estava mais enxergando nada. Para minha grande surpresa e emoção, ele pegou a revista e começou a ler a história para mim. Foi a primeira vez que ele leu com fluência um texto inteiro. Na escola, ainda nem tinha começado a alfabetização.

Naquele momento senti a recompensa mais maravilhosa de meu esforço. Chorei de emoção e ele ficou tão animado que leu a mesma história mais umas cinco vezes. No dia seguinte, ele disse para a mãe: "mãe, preciso aprender a ler melhor para contar histórias para a minha dinda. Ela não pode mais contar para mim". Ele faz isso até hoje. É uma luz em minha vida, um anjo enviado por Deus para consolar meu coração e me dar forças para superar todos os obstáculos.

Acho que esse meu relato demonstra o poder que podem ter os livros em nossa vida, em nossa evolução intelectual e até espiritual. Nós vamos vencer mais esta barreira, como já vencemos outras. É uma questão de tempo.

Um grande abraço,

Autora: Renata Fonseca.
Contato: renatarfonseca@terra.com.br.

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