São Paulo, segunda-feira, 20 de novembro de 2017 - 20:12.

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Universidade e deficiência física - Paralisia Cerebral - Suely Harumi Satow.

Suely Harumi Satow.
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Nossa consultora:

Meu nome é Suely Harumi Satow, tenho 56 anos, moro em São Paulo, sou bacharel em filosofia e comunicação social pela PUC-SP, Mestre e doutora em psicologia social pela mesma instituição e expert em inclusão pela Universidade de Salamanca (Espanha). Agora estou como diretora executiva do CEDIPOD.

Deficiência, limitações e possibilidades:

Tenho paralisia cerebral do tipo atetótico moderado. Essa deficiência é causada pela falta de oxigenação durante a gravidez, durante o parto e depois (até o amadurecimento completo do cérebro. A causa da minha foi durante o parto e pela prematuridade - nasci de seis meses. As limitações são movimentos involuntários, falta de coordenação fina, fala prejudicada, espasmos, reflexos lentos, falta de equilíbrio.

Sonhos e percurso acadêmico:

Tomei a decisão de cursar filosofia, pois queria entender como uns são tratados de um jeito e outros de outro jeito. Quanto à comunicação social, foi para esperar um pouco mais, para que eu adquirisse forças para enfrentar a pesquisa que eu queria fazer no mestrado, que foi o dos estigmas, preconceitos e discriminações para com as pessoas com deficiência, que consegui fazer estudando como se constitui a identidade dessas pessoas. Quanto ao doutorado, resolvi pesquisar a identidade das pessoas com paralisia cerebral.

Não tive problemas com o vestibular. Fiz todos os exames com os outros comuns e passei. Não tive nenhuma expectativa em especial. Ao chegar à Universidade a receptividade acredito que foi normal na filosofia. Na comunicação social, tive um professor que tinha medo de ser contaminado por paralisia cerebral, como se neurônio morto pegasse em alguém. No mestrado os professores corriam de mim feito o diabo da cruz, porque todos pensavam que uma pessoa com deficiência física estudar outras pessoas com igual deficiência era muito perigoso, até que um professor disse para o grupo de identidade que era normal eu querer estudar a identidade das pessoas com deficiência, assim como era para ele estudar a identidade dos alunos da PUC-SP, pois ele foi um deles, ou dos professores de lá, uma vez que ele era professor da mesma instituição.

Problemas encontrados e soluções propostas:

Ao chegar à universidade, A barreira que tive foram as escadas, quando ainda estudava no campus da Marques de Paranaguá. Quanto aos professores, foi aquilo que relatei antes. Com relação a isso me lembro que não tomei nenhuma atitude, até porque não se falava de inclusão e acessibilidade em 1972 como se fala nos dias atuais.

As virtudes de uma Universidade acessível:

Quero recomendar que as Universidades que queiram se preparar para receber de maneira mais adequada e inclusiva as pessoas com paralisia cerebral podem pensar nas seguintes questões: Na parte estrutural, construção de rampas de acesso, banheiro melhor adaptado para quem é cadeirante, portas mais amplas para que os cadeirantes com paralisia cerebral possam entrar nas classes. Enfim, basta seguir a lei usando as normas ABNT 9050. Na parte pedagógica, a universidade deve estar preparada para receber os alunos com paralisia cerebral no que diz respeito à comunicação alternativa - há muitos programas de comunicação alternativa para computadores -, pois há muitos que não conseguem falar com clareza ou mesmo não falam. Há que ter dispositivos como a ponteira e colméia, para que eles possam acessar os computadores, pois há muitas pessoas com essa deficiência que não tem os movimentos controláveis. Além da fala muito comprometida. Na parte atitudinal, seria importante informar o pessoal que o PC não é uma pessoa com deficiência intelectual, para que os professores e outros funcionários não fiquem com melindres em cima do PC. O que nós queremos é sermos tratados como seres humanos como qualquer outro; nem como sub e nem como super pessoa. Temos nossas limitações físicas, mas que podem ser contornadas com a promoção da acessibilidade e o fornecimento de ajudas técnicas adequadas.

Mensagem aos colegas com a mesma deficiência:

Espero que vocês tenham perseverança, lutem pelos seus direitos e estudem bastante.

 

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