São Paulo, segunda-feira, 21 de agosto de 2017 - 03:33.

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Seção Universidade Acessível.

Sejam bem vindos a esta seção onde pretendo apresentar algumas ações que o segmento de pessoas com deficiência em nosso País vem promovendo com o objetivo de conseguir o seu espaço de direito dentro do sistema educacional, em qualquer nível. Na verdade os índices da exclusão escolar e a falta de oportunidades e condições de acesso para pessoas com algum tipo de deficiência são sofríveis em qualquer nível de ensino, no entanto, como tenho que focar em algum ponto, sob o risco de não conseguir abordar todo o tema em um espaço restrito como este, estou recortando a questão da exclusão e da inacessibilidade dentro do nível superior de ensino, nas universidades públicas e privadas, para aquelas pessoas com deficiência que bravamente sobreviveram aos níveis anteriores e conseguiram chegar até lá.

No Brasil, como em qualquer outro setor da sociedade, o da educação também está formatado em sua grande maioria ainda para aquela parcela da população que se situa na discutível "curva de normalidade", ou seja, pessoas que enxergam, ouvem e falam bem, se movimentam com autonomia, tem o sistema neurológico e o grau de intelectualidade preservado e esperado, enfim, são os famosos "normais". Para todo o restante, ou seja, para aqueles que fogem da média da normalidade, o que existe é uma frase padrão e completamente ultrapassada, mas que teima em persistir no entendimento da maioria dos responsáveis pela educação brasileira e que é a velha e malfadada: "Nós não estamos preparados para vocês".

Daí por diante o que se percebe é o verdadeiro abandono e a invisibilidade destas pessoas dentro das instituições de ensino superior, nas quais precisam ter muita criatividade, força de vontade e capacidade de superação para conseguirem uma formação profissional com qualidade mínima. São estudantes cegos ou com baixa visão que não encontram um livro adaptado sequer para consulta e pesquisa dentro das bibliotecas; São estudantes em cadeiras de rodas que não conseguem chegar em suas salas de aula, laboratórios, não conseguem usar os banheiros, às vezes nem mesmo conseguem entrar nos campi das universidades; São estudantes surdos que não tem apoio de intérprete de LIBRAS; São estudantes com deficiência intelectual sendo tratados como verdadeiros incapazes e assim por diante. Isso tudo sem falar nas questões atitudinais, no preconceito por parte de professores e dirigentes.

Mesmo assim, após conseguirem suplantar tudo isso, as pessoas com deficiência formadas ao tentarem seu ingresso no competitivo mercado de trabalho ainda são obrigadas a conviver com o famoso estigma: "Vocês não possuem qualificação necessária para trabalhar". Por isso tudo, nesta seção pretendemos demonstrar que uma escola para todos é possível e obrigatoriamente necessária se quisermos que nossa sociedade saia urgentemente da verdadeira Idade Média em que está inserida, ao defender ainda hoje que os "diferentes" devem ser segregados e isolados dos "iguais" porque somente assim o seu desenvolvimento será melhor e mais efetivo. Um pensamento que demonstra apenas preconceito, falta de informação, medo e comodismo para enfrentar o trabalho de se reconstruir.

Pretendo compartilhar dois momentos de minha luta contra a inacessibilidade e a exclusão dentro da Universidade São Marcos. A luta solitária, eu contra a São Marcos e contando com a primorosa ajuda do Ministério Público Federal. Também a minha luta em grupo, quando fundei o CONSCEG, Conselho de Alunos Cegos e Amigos na Universidade, com a ajuda de outros colegas com e sem deficiência e que se uniram em torno desta causa. Pressionada pelos dois lados, o legal e o social, a Universidade São Marcos não teve como se esquivar de promover as transformações necessárias em seus campi, e vocês poderão verificar isso navegando por aqui.

Outro ponto importante desta seção será a oportunidade que os administradores de instituições de ensino superior terão para acompanhar as dicas de pessoas com diferentes deficiências que já cursaram ou ainda estão cursando nível superior, contando um pouco de suas experiências e ajudando com que outras instituições de ensino percebam que a inclusão de todos é muito mais simples do que se imagina. Uma verdadeira consultoria gratuita exposta aqui para quem quiser aprender, sendo prestada pelas próprias pessoas com deficiência e que sem dúvida são as mais qualificadas para dizer o que é necessário para elas.

Em suma, convido a todos a navegarem e descobrirem o quanto ainda temos que evoluir na questão da inclusão educacional, em todos os níveis sem dúvida, porém, convido também a prestarem atenção nas dicas, vivências, experiências, relatos, isto é, nos detalhes que podem fazer com que sua instituição de ensino se torne mais amigável à diversidade humana. Mais do que isso, torne sua instituição de ensino um modelo para que outras possam espelhar-se nela e mais cedo ou mais tarde consigamos a sociedade inclusiva e cidadã que perseguimos incansavelmente.

Naziberto Lopes de Oliveira.

 

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